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Este blog é dedicado aos amantes da língua portuguesa, àqueles que querem sempre aprender mais e aos que querem conhecer melhor nossa empresa. A valorização da língua portuguesa é nosso maior objetivo e nossa maior alegria! Esperamos que façam bom proveito das informações aqui postadas!
Dicionário analógico da língua portuguesa
Dicionário Analógico da Língua Portuguesa, de Francisco Ferreira dos Santos Azevedo - Nos dicionários convencionais, consulta-se uma palavra em busca de sua definição. O dicionário analógico oferece o caminho inverso: o consulente parte de um conceito (ou de uma vaga ideia) para chegar às palavras. Os verbetes oferecem verdadeiras nuvens de palavras que vão puxando uma a outra: a partir de "conselho", por exemplo, chega-se aos triviais "parecer, assessoria, consulta" e também aos mais remotos "parênese" e "temperilha". O leitor precisa adquirir um certo traquejo para manejar o dicionário. Mas, uma vez acostumado, descobrirá um instrumento indispensável, especialmente na hora de redigir um texto. O dicionário analógico – ou Thesaurus – é de uso corrente nos países de língua inglesa, popularizado desde o século XIX pelo lexicógrafo Peter Mark Roget. No Brasil, ao contrário, o dicionário de Francisco Azevedo (1875-1942), o único em sua categoria, foi publicado postumamente em 1950 – e só agora ganha uma segunda edição atualizada. Espera-se que não desapareça mais do mercado.


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Os dicionários de meu pai
FRANCISCO BUARQUE DE HOLLANDA

Surpreendido pela nova edição do dicionário analógico de Francisco Ferreira dos Santos Azevedo, sinto como se revirassem meus baús e espalhassem aos ventos meu tesouro. Trata-se de uma terrível (funesta, nefasta, macabra, atroz, abominável, dilacerante, miseranda) notícia
Pouco antes de morrer, meu pai me chamou ao escritório e me entregou um livro de capa preta que eu nunca havia visto. Era o dicionário analógico de Francisco Ferreira dos Santos Azevedo. Ficava quase escondido, perto dos cinco grandes volumes do dicionário Caldas Aulete, entre outros livros de consulta que papai mantinha ao alcance da mão numa estante giratória. Isso pode te servir, foi mais ou menos o que ele então me disse, no seu falar meio grunhido. Era como se ele, cansado, me passasse um bastão que de alguma forma eu deveria levar adiante. E por um bom tempo aquele livro me ajudou no acabamento de romances e letras de canções, sem falar das horas em que eu o folheava à toa; o amor aos dicionários, para o sérvio Milorad Pavic, autor de romances-enciclopédias, é um traço infantil no caráter de um homem adulto.
Palavra puxa palavra, e escarafunchar o dicionário analógico foi virando para mim um passatempo (desenfado, espairecimento, entretém, solaz, recreio, filistria). O resultado é que o livro, herdado já em estado precário, começou a se esfarelar nos meus dedos. Encostei-o na estante das relíquias ao descobrir, num sebo atrás da Sala Cecília Meireles, o mesmo dicionário em encadernação de percalina. Por dentro estava em boas condições, apesar de algumas manchas amareladas, e de trazer na folha de rosto a palavra anauê, escrita a caneta-tinteiro.
Com esse livro escrevi novas canções e romances, decifrei enigmas, fechei muitas palavras cruzadas. E ao vê-lo dar sinais de fadiga, saí de sebo em sebo pelo Rio de Janeiro para me garantir um dicionário analógico de reserva. Encontrei dois, mas não me dei por satisfeito, fiquei viciado no negócio. Dei de vasculhar livrarias país afora, só em São Paulo adquiri meia dúzia de exemplares, e ainda arrematei o último à venda na Amazon.com antes que algum aventureiro o fizesse. Eu já imaginava deter o monopólio (açambarcamento, exclusividade, hegemonia, senhorio, império) de dicionários analógicos da língua portuguesa, não fosse pelo senhor João Ubaldo Ribeiro, que ao que me consta também tem um, quiçá carcomido pelas traças (brocas, carunchos, gusanos, cupins, térmitas, cáries, lagartas-rosadas, gafanhotos, bichos-carpinteiros).
A horas mortas, eu corria os olhos pela minha prateleira repleta de livros gêmeos, escolhia um a esmo e o abria a bel-prazer. Então anotava num Moleskine as palavras mais preciosas, a fim de esmerar o vocabulário com que eu embasbacaria as moças e esmagaria meus rivais.
Hoje sou surpreendido pelo anúncio desta nova edição do dicionário analógico de Francisco Ferreira dos Santos Azevedo. Sinto como se invadissem minha propriedade, revirassem meus baús, espalhassem aos ventos meu tesouro. Trata-se para mim de uma terrível (funesta, nefasta, macabra, atroz, abominável, dilacerante, miseranda) notícia.

Dica de site

  22 Julho 2010
Há um site que é simplesmente excelente para quem tem interesse em se aprimorar no conhecimento da língua portuguesa. Chama-se Por trás das letras. Lá se encontram dicas, regras de gramática e linguística, artigos, dicionários, curiosidades.... tem até uma quantidade incrível de exercícios, para você treinar seus conhecimentos!

É um dos melhores - se não o melhor - sites do gênero!

Não deixem de acessá-lo: http://tinyurl.com/23226cn

Triste constatação

  22 Julho 2010

Português é a matéria com pior resultado no Enem

20 de julho de 2010 | 9h 55

AE - Agência Estado

O desempenho na área de Linguagens e Códigos, que mede as habilidades dos jovens em língua portuguesa e interpretação de textos, puxou para baixo a média final das escolas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2009. Essa parte do exame foi a única em que nenhum colégio no País atingiu média de 700 pontos, numa escala de 0 a 1.000. Entre as escolas da capital, o melhor desempenho ficou com o Colégio Vértice, com 686,70 pontos.

Nas outras grandes áreas do conhecimento, a maior média dos colégios ficou entre 700 e 800 pontos. Com a maior média geral do País, o Vértice encabeça as notas das escolas da capital em Matemática, Ciências da Natureza e Ciências Humanas. Em redação, a melhor média foi do Colégio Batista.

A pontuação máxima abaixo de 700 em linguagens é considerada "preocupante" e um reflexo da chamada "geração Y", educada com a ajuda da internet. Para gestores de escolas, com os jovens cada vez mais conectados em redes sociais, a linguagem desenvolvida no mundo virtual se distanciou da língua culta, empobrecendo o vocabulário e prejudicando a capacidade de interpretar textos mais longos.

"Está tudo muito abreviado, curto, e eles deixam de produzir textos. É tudo copiado: control-C, control-V", diz Maria Martinez, diretora pedagógica do Batista Brasileiro. "Não aceitamos trabalhos copiados da internet. As próprias escolas, às vezes, entregam material pronto para o aluno, que só tem o trabalho de responder, não de elaborar o texto". Diretor do Vértice, Adílson Garcia reconhece que há dificuldade do jovem em adquirir hábitos de leitura.

As informações são do Jornal da Tarde.

Usando a língua

  05 Agosto 2010
PASQUALE CIPRO NETO

"Consiga sucesso com as mulheres..."Na publicidade, às vezes as palavras não significam ou não precisam significar coisa alguma
DEPOIS DE 29 dias na África do Sul, cobrindo a Copa para a Folha, e de pouco mais de duas semanas em férias, cá estou, de volta à coluna.É claro que nesse período não me "ausentei" do mundo, muito menos da leitura de sites, jornais etc., o que significa que, lamentavelmente, não deixei de ver/ler pérolas e pérolas. Uma delas acaba de chegar ao e-mail da coluna. Aliás, é o que dá ter e-mail público: a quantidade de bobagens que chegam é inacreditável.E qual é a tal pérola da vez? Vamos lá, começando pelo "assunto" do e-mail: "Consiga um sucesso incrível com as mulheres!!!". A fórmula? Vem logo na cabeça da mensagem: "Conquiste usando feromônios!!" (interessante notar que -sabe Deus por quê- agora há um ponto de exclamação a menos...).E o que serão os benditos "feromônios"? Antes, vamos ao "subtítulo" da mensagem: "Imagine um produto afrodisíaco natural, para atrair mulheres". Peço ainda um minutinho, para mais um "subtítulo" (que, por aparecer no meio do texto, na linguagem jornalística chamamos de "intertítulo"): "Aumente o seu poder de sedução com as mulheres!" (agora entendi por que no segundo subtítulo há um ponto de exclamação a menos; só não entendi por que não há o sinal em "Imagine um produto...").O prezado leitor notou a sequência de verbos ("consiga", "conquiste", "imagine", "aumente") conjugados no modo imperativo afirmativo? Bem, como se diz nas receitas, separe. Vamos falar disso já, já.Já sei, já sei. Você quer saber o que vem a ser o tal do feromônio, não? Recorramos ao "Houaiss": "Substância biologicamente muito ativa, secretada especialmente por insetos e mamíferos, com funções de atração sexual, demarcação de trilhas ou comunicação entre indivíduos". O dicionário "Houaiss" diz ainda que há a forma variante "ferormônio".A esta altura, já me sinto (como sempre) um belo ignorante: se o tal feromônio é secretado por insetos e mamíferos, e nós somos mamíferos... Ou os mamíferos que secretam essa substância são só os "irracionais"? Uma passagem da mensagem talvez explique (ou complique) de vez: "Os feromônios! Fragrância: toque de raízes selvagens". Que tal?O fato é que, na linguagem publicitária, muitas vezes as palavras não significam o que significam ou não precisam significar coisa alguma. Quando o termo é técnico ou muito específico (caso de "feromônio"), então, o prato está feito.Mas deixemos isso para lá e fixemo-nos agora na sequência de verbos no modo imperativo, que, como se sabe, é o modo da ordem, do pedido, do apelo, da súplica. A primeira dessas flexões imperativas é "consiga" ("Consiga um sucesso incrível com as mulheres!!!"). Não lhe parece no mínimo inquietante a ideia de alguém mandar alguém conseguir alguma coisa, sobretudo quando essa coisa é o sucesso com as mulheres, que virá com o simples uso dos tais feromônios, ou seja, que não exigirá esforço algum além do uso das tais substâncias ativas?Pois é, caro leitor, o truque é velho. Consiste em convencer o possível cliente a comprar determinado produto, dando-lhe "ordens" que não parecem ordens ou missões que serão facilmente cumpridas, desde que se usem os tais miraculosos produtos. A frase final do texto não deixa dúvida: "As mulheres notarão sua presença onde quer que esteja".Não foi por acaso que o redator empregou "notarão" (e não "vão notar"), assim como não foi por acaso que, na primorosa "Um Índio", Caetano Veloso usou "descerá", "virá", "pousará" etc. (em vez de "vai descer", "vai vir", "vai pousar"): a forma sintética do futuro do presente do indicativo é muito mais contundente do que a composta. A língua e seus poderes... É isso.
.....................................Publicado no jornal Folha de S. Paulo em 05 de agosto de 2010.

ABC da Língua Culta

  05 Agosto 2010
Lançado faz pouco tempo o essencial "ABC da Língua Culta", de Celso Luft. Vale muito a pena ter para consulta!
Segue resenha:
"Abc da língua culta" é uma obra explicativa de questões de português. Apresenta casos de sintaxe (colocação, regência, concordância), morfologia, fonética, neologismos, estrangeirismos, problemas de uso, diferenças entre sinônimos, variações entre Brasil e Portugal, registrados e comentados. Trata-se, de um dicionário enciclopédico centrado em questões que envolvem o uso correto da língua escrita. Assim, em lugar de apenas termos isolados darem entrada aos verbetes, encontra-se, por exemplo, o par 'ao encontro de / de encontro a'. Quando se usa uma e quando a outra expressão? E quando é correto usar aonde e quando onde? Ao mesmo tempo que ou ao mesmo tempo em que? À vontade ou à-vontade? Além de expressões assemelhadas na forma, mas distintas no significado, o dicionário contempla outros tipos de entradas, como termos literários, variações de grafia como assobio / assovio, articulações de palavras (por exemplo, o superlativo de atroz), e ainda sobreposições semânticas como avestruz / ema, estrangeirismos, usos raros, em ordem alfabética e na forma de verbetes, contemplando morfologia, fonética, sintaxe, estilística e usos.
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