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Este blog é dedicado aos amantes da língua portuguesa, àqueles que querem sempre aprender mais e aos que querem conhecer melhor nossa empresa. A valorização da língua portuguesa é nosso maior objetivo e nossa maior alegria! Esperamos que façam bom proveito das informações aqui postadas!

Se ele manter...

  05 Agosto 2014

Quantas vezes você já ouviu alguém falar "Se ele manter a votação da eleição passada, se reelegerá", ou "Se nós mantermos esse ritmo, vamos conseguir chegar lá", "Se você manter sua assinatura, ganhará um brinde"?

 

Pois é, tem um problema grave aí: nos verbos derivados de TER (manter, obter, conter, deter, reter, etc.), a conjugação segue o modelo do verbo primitivo. A gente não vai sair por aí falando "Se meu time ter sorte, ganhará o jogo"; falamos "Se meu time tiver sorte...".

Portanto, aplique essa conjugação a todos os demais verbos derivados de TER, como nos exemplos abaixo:

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Verbos: particípio

  11 Novembro 2010
PASQUALE CIPRO NETO

Por falar em particípio...


Algumas gramáticas apresentam orientação diferente da clássica quando elencam os duplos particípios

NA SEMANA PASSADA, para explicar a questão do uso das formas "presidente" e "presidenta", citei a expressão "particípio presente". Afirmei que palavras terminadas em "-nte", como "presidente", "agente", "pedinte" etc., vêm do particípio presente de verbos latinos e traduzem a noção de agente de determinado processo. O presidente, por exemplo, é quem preside, o pedinte é quem pede, o viajante é quem viaja e assim por diante.Pois a expressão "particípio presente" fez muita gente lembrar-se de outra expressão, o "particípio passado". Um leitor disse o seguinte: "Era por isso que nos diziam que "beijado" é o "particípio passado" de "beijar'? E por que não nos ensinavam o que é o particípio presente?".Pois é. O particípio passado, hoje chamado simplesmente de particípio, é uma das formas nominais do verbo (gerúndio, infinitivo e particípio). Sabemos que a forma regular do particípio dos verbos terminados em "ar" termina em "ado" (beijado, estudado, transportado etc.) e a dos verbos terminados em "er" ou "ir" termina em "ido" (bebido, esquecido, permitido, dividido, iludido).Sabemos também que a maior parte dos verbos apresenta apenas o particípio regular (beijado, permitido) e que alguns verbos apresentam apenas o particípio irregular (feito, escrito, aberto). Por fim, sabemos que há verbos que apresentam duplo particípio (salvado/salvo, prendido/preso, extinguido/extinto). E é aí que a roda começa a pegar. Quando usar este ou aquele?As gramáticas e os dicionários costumam simplificar a questão ao afirmar que, quando o auxiliar é "ter" ou "haver", emprega-se a forma regular do particípio (tinha/havia salvado, tinha/havia extinguido) e que, quando o auxiliar é "ser" ou "estar", emprega-se o particípio irregular (foi/está salvo, foi/está preso, foi/ está extinto).Até aí, tudo bem. Na verdade, tudo mais ou menos bem. Ninguém será perturbado se seguir essa "regra", mas não se pode negar que o uso já consagrou o emprego de formas irregulares do particípio, como "aceito" e "entregue", com os auxiliares "ter" e "haver" (tinha/havia aceito/entregue). A seguir ao pé da letra a "regra" clássica, obter-se-iam as formas tinha/havia aceitado e tinha/havia entregado.Algumas gramáticas tentam apresentar orientação diferente da clássica ao elencar os duplos particípios e seus usos. Uma delas é a de Evanildo Bechara. A tarefa é delicada, mas tem o mérito de fugir da obviedade e levar em conta o que efetivamente se usa no idioma.Uma coisa é clara, porém: partir da ideia (fútil e demagógica) de que vale tudo desemboca no caricato ou esquizofrênico, visto que nenhum dos defensores do "está bom de qualquer jeito" teria peito para escrever algo como "A polícia tinha preso todos os bandidos" ou "O delegado tinha solto os suspeitos".Um caso que merece destaque é o de formas como "Tinha chego", "Tinha compro", cada vez mais comuns no linguajar de pessoas de pouca escolaridade. De onde vêm essas formas? A explicação parece simples: como a forma irregular dos particípios duplos muitas vezes coincide com a primeira pessoa do singular do presente do indicativo (caso de "trago", "salvo" etc.), o falante, por associação, acaba usando o mesmo processo para chegar a "tinha chego", "tinha compro", que já ouvi muitas vezes e que já foram objeto de perguntas em muitas das minhas palestras Brasil afora.Que fique claro: formas como "tinha aceito" e "tinha entregue" já frequentam os registros formais ou semiformais, o que não ocorre com "tinha chego", "tinha trago", "tinha compro" ou "tinha falo". É isso.

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..........................Publicado no jornal Folha de S. Paulo em 11 de novembro de 2010.

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Genial como sempre

  09 Junho 2011
Sempre excelente, segue a coluna do prof. Pasquale publicada na Folha de S. Paulo de hoje:

PASQUALE CIPRO NETO
"Se der um tapa na bola, Neymar ia..."

A linguagem se adapta ao veículo. Quando o locutor disse a primeira parte da frase, Neymar de fato...
O CARO LEITOR CERTAMENTE já ouviu falar de correlação verbal, não? Bem, os que leem habitualmente esta coluna, os que estão às voltas com vestibulares e concursos e os que estudam a língua, entre outros, decerto já ouviram falar disso.
Para quem não sabe ou esqueceu, lá vai: a correlação verbal se ocupa do casamento entre o tempo e o modo de duas formas verbais de um mesmo período. Vamos a alguns exemplos básicos: "Se ele/a for embora, o que você fará?"; "Se ele/a fosse embora, o que você faria?".
No primeiro exemplo, há correlação entre as formas verbais "for" (do futuro do subjuntivo) e "fará" (do futuro do presente do indicativo). No segundo, a correlação se dá entre "fosse" (do pretérito imperfeito do subjuntivo) e "faria" (do futuro do pretérito do indicativo).
Se o caro leitor tiver ficado enjoado com tantos nomes de tempos e modos verbais, tome um digestivo, digo, esqueça essa montoeira de nomes e guie-se pelo senso, pelo bom senso, pela intuição, que, quase sempre, resolvem o problema.
Por que "quase sempre"? Porque há alguns casos capciosos, que às vezes nos pregam surpresas. Um desses casos é o da forma "havia", do verbo "haver". No padrão formal da língua, é desejável que se prefira essa flexão à do presente do indicativo ("há") em construções como estas: "Havia seis anos que o importante projeto estava parado nas gavetas do Congresso"; "Quando eles se conheceram, havia dois anos que o ex-ministro ocupava a pasta".
Nos exemplos do parágrafo anterior, comprova-se a pertinência do emprego da forma "havia" com a simples substituição dessa flexão por "fazia": "Fazia seis anos que o importante projeto estava parado nas..."; "Quando eles se conheceram, fazia dois anos que o ex-ministro ocupava...". As formas "havia" e "fazia" são do mesmo tempo verbal (pretérito imperfeito do indicativo).
Na língua do dia a dia, a forma "havia" é substituída por "há", que, na prática, funciona como partícula intemporal. São comuns nessa variedade da língua (e mesmo em vários registros escritos) construções como estas: "Ele trabalhava lá há seis anos" ou "Eu não via seu primo há seis anos". Esse uso é tão disseminado que, em seu "ABC da Língua Culta", Celso Luft assim escreve na entrada "há": "Forma do verbo haver, significando: 1. Faz ou fazia: Há um ano que não o vejo. Há um ano que tinha desaparecido (melhor, coordenando os tempos: Havia um ano que tinha desaparecido)".
Como se vê, Luft dá "há" como equivalente a "faz" ou "fazia", mas logo faz a observação sobre o que é "melhor". E por que será "melhor"? Talvez porque em determinados registros podem caber as duas formas, com valores distintos. Vejam-se estes exemplos: "Ela estava no hospital há um ano"; "Ela estava no hospital havia um ano". Percebeu? No primeiro exemplo, informa-se que há um ano, ou seja, um ano atrás, ela estava no hospital (não se diz quanto tempo ela passou lá); no segundo, informa-se que fazia um ano que ela estava no hospital.
E onde entra Neymar na conversa? Vamos lá. Dia desses, um locutor disse isto: "Se der um tapa na bola, Neymar ia ficar sozinho". Terá ele errado a correlação entre "der" e "ia ficar" (= "ficaria")? Não e não, caro leitor. A linguagem se adapta ao veículo. Quando o locutor disse a primeira parte da frase ("Se der um tapa na bola" -o sujeito dessa oração não era "Neymar"; era o jogador que daria o tapa na bola), Neymar de fato ficaria sozinho se o outro jogador... Mas o passe não foi dado, e o raciocínio do locutor foi tão rápido quanto o desfecho do lance, por isso a troca de "vai ficar" (= "ficará"), por "ia ficar". É isso.
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