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Este blog é dedicado aos amantes da língua portuguesa, àqueles que querem sempre aprender mais e aos que querem conhecer melhor nossa empresa. A valorização da língua portuguesa é nosso maior objetivo e nossa maior alegria! Esperamos que façam bom proveito das informações aqui postadas!

Às vezes acontece de a empresa em que a gente trabalha ter de encaminhar uma carta, um convite, ou mesmo avisar aos clientes que uma grande figura pública estará presente em um evento da companhia.

Então surge sempre a dúvida: e agora, a gente se refere a ele como Vossa Excelência ou Sua Excelência?

Bem, no uso desses pronomes de tratamento, há duas situações diferentes:

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Pronome anafórico?

  18 Outubro 2012

Nesse ano ou neste ano?

Você sabe o que é um pronome anafórico? É fácil: é um pronome que se refere a ideia ou elemento já presente no texto. Pra facilitar: se eu digo que quero comprar um carro, e que esse carro tem de ser preto, aquele "esse" ali atrás está se referindo a carro, não é? E carro já apareceu no texto, um pouco antes do "esse". Então, "esse" está se referindo a ideia ou elemento já presente no texto. Sacou?

Por que é importante saber isso? Faz alguma diferença?

Faz, e toda! A outra opção é o pronome catafórico, que se refere a um termo que ainda não apareceu. Nesse caso (olha o "nesse" aqui, retomando a ideia da frase anterior), escreve-se com "st" (neste). Opa, complicou? Não, é fácil. Veja a seguinte frase: "Quero que aconteça exatamente isto: que ele se exploda". Viu? O "isto" está se referindo a algo que ainda não apareceu no texto, a uma ideia que ainda está por ser introduzida!

Mas e faz mesmo tanta diferença? 

Olha este ("este", porque ele se refere à palavrinha que vem agora, e não a algo que já está no texto) exemplo: "Minha mãe nasceu em 1954. Nesse ano, o mundo viveu momentos únicos". O que aconteceria se, em vez de usar "nesse ano", a gente usasse "neste ano"? Simplesmente deixaríamos de falar de 1954, para falar de 2012, pois "neste ano" significa "no ano atual"! Olha como mudou completamente!

Então, cuidado na hora de usar isso/isto, esse/este, nesse/neste; dependendo da escolha que você fizer, pode mudar todo o sentido do texto!

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Mesmo

  28 Outubro 2008
"Mesmo" não exerce função de pronome pessoal

Thaís Nicoleti de Camargo

"Antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se parado neste andar." A frase é bem conhecida dos usuários de elevadores -pelo menos, daqueles que vivem na cidade de São Paulo, onde ela integra o texto da lei número 12.722, de 4 de setembro de 1998.
Muito bem. A frase, que freqüentemente tem sido lembrada como um mau exemplo do uso do pronome "mesmo", enseja uma revisão sobre o emprego desse demonstrativo, que, é bom que se diga, não deve ser usado no lugar dos pronomes pessoais.
É esse, aliás, o defeito principal dessa frase (que tem outros problemas que não cabe aqui comentar) e de uma quantidade de construções frasais típicas de boletins de ocorrência policial, nos quais esse uso parece ter-se tornado uma verdadeira "ferramenta de estilo". Quem não identifica logo a escrita dos relatórios policiais às construções do tipo "O acusado declarou não ter estado naquele local na hora do crime. "O mesmo" disse ainda que nunca estivera naquele local"?
Vamos entender o motivo de esse uso ser inadequado. O pronome "mesmo" tem origem em dois termos latinos, "ipse" e "idem", que orientam dois diferentes usos do pronome em português. Com o valor de "idem", que quer dizer "o mesmo", denota identidade e emprega-se ao lado de substantivos antepostos por artigos ou outros demonstrativos ("Fez as mesmas observações", "Dirigiu-se àquele mesmo rapaz"); com o valor de "ipse", que quer dizer "ele mesmo", emprega-se ao lado de substantivos ou de pronomes pessoais e significa "próprio", "em pessoa" ("Ele mesmo deu o recado").
Esses são os empregos tradicionais do pronome, que, entretanto, aparece em outras situações. Pode ser usado com valor de substantivo no sentido de "coisa semelhante" ("Na semana passada, choveu torrencialmente. Dizem que "o mesmo" ocorrerá nos próximos dias").
Note-se que "o mesmo" quer dizer "a mesma coisa", não "ele". Rigorosamente, portanto, ao dizermos "Verifique se o mesmo encontra-se..." (sic), estamos dizendo "Verifique se a mesma coisa se encontra...", o que não parece ser a idéia de quem formulou a frase.
Como advérbio, portanto como palavra invariável quanto ao gênero e ao número, é empregado para realçar verbos e advérbios, ao quais acrescenta um reforço semântico. Assim: "Ela escreveu mesmo ("de fato") aquilo?", "A reunião vai ser lá mesmo ("de fato")?". A essa idéia pode associar-se a de dúvida. Numa construção como "Ganhou na loteria? Mesmo?", a interrogativa "Mesmo?" sugere descrença e surpresa.
Na condição de palavra denotadora de limite, "mesmo" tem o valor aproximado de "até". Numa construção como "Mesmo as pessoas amigas duvidaram dele", provavelmente derivada de "Até mesmo as pessoas amigas duvidaram dele", o pronome que atuava como realce da preposição "até" passou a substituí-la, assumindo o seu valor semântico.
Na locução conjuntiva "mesmo que", exprime a idéia de concessão, ou seja, de aceitação de uma situação oposta. Assim: "Mesmo que você não me queira ouvir, vou dizer o que acho".
Palavra de uso constante na língua, "mesmo" admite o superlativo ("mesmíssimo") e deu origem ao substantivo "mesmice", um sinônimo um tanto pejorativo de "marasmo" ou "ausência de mudança".


THAÍS NICOLETI DE CAMARGO, consultora de língua portuguesa do Grupo Folha-UOL, é autora dos volumes "Redação Linha a Linha" (Publifolha), "Uso da Vírgula" (Manole) e "Manual Graciliano Ramos de Uso do Português" (Secom-AL).
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Artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo em 28 de outubro de 2008.
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