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Este blog é dedicado aos amantes da língua portuguesa, àqueles que querem sempre aprender mais e aos que querem conhecer melhor nossa empresa. A valorização da língua portuguesa é nosso maior objetivo e nossa maior alegria! Esperamos que façam bom proveito das informações aqui postadas!

A ordem das palavras na frase

 

Pois é, tem quem ache que a ordem das palavras na frase não tem tanta importância assim. Afinal, no português dá pra jogar o verbo pra cá, o sujeito pra lá, e a frase segue igual. Oi? Nada disso!

A ordem das palavras na frase pode alterar todo o significado dela, ou ainda gerar ambiguidade. Olha este exemplo abaixo. No texto da Folha, era tão fácil ser claro e direto: bastava escrever "Veja fotos dos protestos tiradas por leitores". Pronto, fácil, simples e sem ambiguidade.

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'Embora seja (,) ainda (,) mais rápido...'


PASQUALE CIPRO NETO

Não, caro leitor, o título desta coluna não é igual ao da semana passada. Para os que não leram a última coluna e para os que esqueceram o título, repito-o: "Embora (ainda) seja (ainda) mais rápido...". Trocamos duas palavras a respeito da alteração de sentido decorrente da posição do advérbio "ainda" na frase.
Talvez seja bom relembrar que, se o advérbio "ainda" for posto antes de "seja", modificará justamente essa palavra, isto é, seu papel será o de indicar que X ainda é mais rápido que Y (que X era e continua sendo mais rápido que Y).
Se o advérbio "ainda" for posto depois de "seja", portanto antes de "mais rápido", seu papel será o de modificar essa expressão, isto é, seu papel será o de reforçar a expressão "mais rápido" ("Y é rápido, mas X é ainda mais rápido" ou "Y é rápido, mas X é mais rápido ainda").
Antes que me esqueça, agradeço ao leitor Marco Silva, que fez importante observação sobre o que se afirma nos parênteses que fecham o parágrafo anterior. Marco me corrigiu (com razão) no que diz respeito a quem é mais rápido que quem (eu tinha invertido a relação).

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PASQUALE CIPRO NETO

'Embora (ainda) seja (ainda) mais rápido...'

Refiro-me a palavras clássicas nesse tipo de questão, como "também", "só", "ainda", "simples" etc.

Diga já e agora, caro leitor: onde colocar o bendito "ainda" no trecho que está no título desta coluna?

Imagino que, de cara, você já tenha descartado a hipótese do "tanto faz", visto que não tanto faz coisíssima nenhuma. Se o advérbio "ainda" for posto antes de "seja", seu papel será modificar justamente essa palavra, isto é, seu papel será o de indicar que X ainda é mais rápido do que Y. Se o advérbio "ainda" for posto depois de "seja", ou melhor, antes de "mais rápido", seu papel será o de modificar essa expressão, isto é, seu papel será o de reforçar essa expressão ("X é rápido, mas Y é ainda mais rápido" ou "X é rápido, mas Y é mais rápido ainda"). Ficou claro?

De onde tirei o trecho que está no título desta coluna? E qual era posição do "ainda" na frase em questão? O trecho estava num site e integrava uma matéria cujo título era este: "Desorganização 'rouba' até 30% do tempo de viagem do usuário de metrô em São Paulo". Destaco o trecho do qual faz parte o excerto que está no título da minha coluna: "Usar o metrô de São Paulo em dias úteis -segunda a sexta-feira- é um pouco de todas essas experiências acima descritas, embora o meio de transporte seja ainda mais rápido que os carros e ônibus que inundam o trânsito mais intenso do Brasil".

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A ordem dos fatores

  28 Outubro 2008
"Manifesto contra a nudez de Pedro Cardoso"
Pela enésima vez, caro leitor, lembro que as palavras devem ser dispostas nas frases com critério, com nexo.
Pasquale Cipro Neto

O GRANDE AUGUSTO DE CAMPOS dedica seu belíssimo livro "Balanço da Bossa e Outras Bossas" (de 1974) ao avô, Américo de Campos, "que me ensinou a gostar de poesia e a passar a vida inteira lutando por causa perdida".
Muitas vezes, sinto-me exatamente como Augusto. Quando vejo, por exemplo, certos títulos jornalísticos, acho que perco o meu latim (é bom saber que a expressão "gastar/ perder o seu latim" significa "trabalhar ou esforçar-se inutilmente").
Veja este título, posto na primeira página de um site, na semana passada: "Selton Mello responde ao manifesto contra a nudez de Pedro Cardoso". Eu estava fora da pátria amada, acompanhando a distância o que se sucedia por aqui. Não sabia que Cardoso se manifestara contra a nudez gratuita no cinema e no teatro.
Minha primeira reação foi supor que Cardoso ficara nu e que isso causara escândalos, revoltas, manifestos etc., e que, solidário, Selton Mello saíra em defesa de Cardoso.
Resolvi deixar o título de lado e ler a notícia toda. Nada de Cardoso nu, nada de manifesto contra a nudez dele, nada de apoio de Selton a Cardoso. O problema estava no (horroroso) título que eu lera, cujas peças estavam fora de lugar. O que se queria informar exigia que as palavras fossem dispostas nesta ordem: "Selton Mello responde ao manifesto de Pedro Cardoso contra a nudez".
Pela enésima vez, caro leitor, lembro que as palavras devem ser dispostas nas frases com critério, com nexo. Muitas vezes, a ordem dos fatores altera -e muito!- o produto. A parte dos estudos lingüísticos que se ocupa das relações entre as palavras e as orações é a regência.
Basta que duas palavras se relacionem para que se estabeleça um mecanismo de regência. Em "mulher bonita", por exemplo, o termo regente é "mulher"; o regido é "bonita". E por quê? Porque nesse par o substantivo (que não por acaso se chama substantivo -é a substância) é feminino, o que exige que o adjetivo ("bonita") assuma a forma feminina, em sintonia com "mulher".
Pois no título relativo à nudez de Cardoso, digo, ao manifesto de Cardoso contra a nudez gratuita no teatro e no cinema, a expressão "de Pedro Cardoso" é regida pelo substantivo "manifesto" e não pelo também substantivo "nudez". O nome "manifesto" rege ainda a expressão "contra a nudez". É fundamental que a ordem dos termos seja tal que impeça interpretação diferente da que se pretende, diferente daquela que espelha com veracidade os fatos.
Mas a coisa não parou no embate entre Mello e Cardoso. Veja esta outra pérola, perpetrada por um jornal (em letras graúdas): "Mãe de Eloá diz que perdoa Lindemberg durante velório". O perdão se encerra quando acaba o velório? E depois? Ou será que a mãe daria o perdão durante o velório? Mas Lindemberg estava preso, isto é, não poderia ir ao velório.
Há um mês, a pérola da vez foi esta: "Democratas e republicanos atribuem impasse em plano de socorro a McCain". Que significa isso? Que há um impasse num plano que visa a socorrer o pobre McCain? É o que parece. A expressão "a McCain" não é regida pelo substantivo "socorro", mas pela forma verbal "atribuem". A ordem que melhor traduziria o sentido pretendido é esta: "Democratas e republicanos atribuem a McCain impasse em plano de socorro".
Mais uma vez, pergunto: é difícil? Não creio. Basta ler, reler, ler -e com muita atenção. Do contrário... É isso.

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Artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, em 23 de outubro de 2008.
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