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Este blog é dedicado aos amantes da língua portuguesa, àqueles que querem sempre aprender mais e aos que querem conhecer melhor nossa empresa. A valorização da língua portuguesa é nosso maior objetivo e nossa maior alegria! Esperamos que façam bom proveito das informações aqui postadas!

A crase, sempre ela...

  25 Junho 2015

O mau uso da crase parece não ter fim... Mas a indignação do mestre Caetano e o sempre exemplar texto do prof. Pasquale Cipro Neto na Folha de S. Paulo são uma luz no fim do túnel.

 

Confira:

 

"Na terça-feira, Caetano Veloso postou nas redes sociais um vídeo no qual corrige uma frase escrita pelo pessoal que trabalha com ele.

O trecho era este: 'Homenagem à Bituca'. Bituca é o apelido do grande Milton Nascimento. No vídeo, Caetano não se limita a dizer que o 'a' não deve receber o acento grave (ou acento indicador de crase). O Mestre dá a explicação completa (e perfeita) da questão.

(...)

No caso da construção corrigida por Caetano ('Homenagem à Bituca'), é óbvio que o acento indicador de crase é mais do que inadequado, já que no trecho só existe um 'a', a preposição 'a', regida pelo substantivo 'homenagem'; por ser substantivo masculino, 'Bituca' obviamente rejeita o artigo feminino."

 

Quer ler o artigo inteiro? Clique aqui.

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Com crase ou sem?

  14 Julho 2011

Texto extraído do site Sua Língua, do professor Cláudio Moreno.


Ensino à distância ou ensino a distância?


"Prezado prof. Moreno: por que ensino a distância não leva acento de crase? Discutimos aqui que poderia ser pelo fato de não estar determinada a distância, já que temos o acento em frases como “o carro estava à distância de 100 metros”. É isso? Fui ao Aurélio e vi que são aceitas as duas formas. Posso escolher?" Marta G. — Porto Alegre.

Qualquer brasileiro que passou pela escola deve saber que a crase é um fenômeno que ocorre quando dois As se encontram no interior de uma frase: a preposição A, que fica à esquerda, encontra o artigo A, que fica à sua direita. Ora, isso só poderia ocorrer, rigorosamente, numa ÚNICA SITUAÇÃO: antes de um substantivo feminino (expresso ou elíptico) que tenha o artigo A. Fora disso, em qualquer outra situação, é impossível que se encontrem os dois As necessários para esse casamento.

Como se explicaria, então, a grande incidência de erros do tipo *barco à vapor, *bufê à quilo, *escreveu à lápis, *começou à chorar, *entregou à ela, *trafegava à 60km, em que não se pode sequer suspeitar da existência de um artigo feminino? É apenas mais uma conseqüência da decadência do ensino brasileiro, diriam alguns. Eu concordo, mas em parte.

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Crase

  07 Maio 2009
Texto publicado no jornal Folha de S. Paulo, no dia 07 de maio de 2009, à pág. C2, pelo prof. Pasquale.
Pasquale Cipro Neto
"Febre superior à (a) 39 graus"

Dizei-me vós, Senhor Deus: por que diabos se emprega mal o acento grave mesmo em casos tão óbvios e banais?

E A TAL DA GRIPE (já mudaram o nome da infeliz) não faz mal só às pessoas. Explico: na semana passada, trocamos dois dedos de prosa sobre a formação e o significado de palavras como "endemia", "epidemia", "pandemia", "pandemônio" etc. Pois alguns leitores aproveitaram a deixa para lembrar que, em painéis de alguns aeroportos, o Ministério da Saúde desferiu alguns golpes contra a língua.
Um desses golpes estava nesta passagem: "...febre superior à 39 graus...". Senhor Deus dos desgraçados, dizei-me vós, Senhor Deus: por que diabos se emprega mal o acento grave (acento indicador de crase) mesmo em casos tão óbvios e banais como o da advertência em questão?
Só os ingênuos não conhecem o poder de mensagens como essa, exibidas em painéis bonitos, em lugares "chiques" como aeroportos etc. O cidadão bate os olhos e fica com aquilo na memória e, quando vai escrever, tende a repetir o que viu ali.
Se a escola cumprisse sempre a sua parte nesse quesito, ou seja, se mostrasse como é o fenômeno da crase, talvez se eliminasse uma das razões de as pessoas terem tanta dificuldade para perceber que "bater a porta" é bem diferente de "bater à porta" e que "viver a espera de viver ao lado teu por toda a minha vida" também é bem diferente de "viver à espera de viver ao lado teu...".
Pois não custa relembrar os passos básicos. Vamos lá. O "a" com acento grave resulta de "a" + "a", em que o primeiro "a" é sempre preposição, e o segundo "a" quase sempre é artigo feminino (quase sempre, é bom enfatizar). Em "Sugeri à diretora que relesse o texto", por exemplo, ocorre a fusão da preposição "a", regida pelo verbo "sugerir" (se alguém sugere, sugere a alguém), com o artigo "a" (feminino, singular), determinante do substantivo "diretora" (feminino, singular). Um truque velho e conhecido consiste em trocar o substantivo feminino ("diretora") por um masculino: "Sugeri ao diretor...". Num passe de mágica, o "à" se transformou em "ao".
Em "febre superior a 39 graus", é evidente a presença da preposição "a", regida pelo adjetivo "superior" (se algo é superior, é superior a). Para que o "a" que precede "39 graus" receba acento grave, é preciso que ocorra a fusão com outro "a". Cadê esse outro "a"? Seria um artigo (feminino, singular), determinante da expressão "39 graus", que é masculina, plural? Claro que não. Não há outro "a", caro leitor.
Embora a indevida presença do acento grave no "à" de "superior à 39 graus" não mude o preço do feijão, entender por que nesse caso ele é indevido ajuda a entender outras construções em que a presença dele muda o preço do feijão, sim.
Quer um bom exemplo? Lá vai: "Mantém-se a/à esquerda". Que lhe parece? Em "mantém-se a esquerda", a expressão "a esquerda" é sujeito. A construção equivale a algo como "A esquerda se mantém". Em "Mantém-se à esquerda", o sujeito certamente foi citado antes e, no caso, está representado pelo pronome "ele/ela", implícito na flexão verbal "mantém", da terceira pessoa do singular. Agora, indica-se que alguém se mantém à esquerda, ou seja, continua nessa posição (física ou política).
Em termos de fluidez de leitura, tudo isso faz uma enorme diferença. A leitura vai, avança, flui, sem tropeços, sem necessidade de voltar a partes anteriores. É isso.
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