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Este blog é dedicado aos amantes da língua portuguesa, àqueles que querem sempre aprender mais e aos que querem conhecer melhor nossa empresa. A valorização da língua portuguesa é nosso maior objetivo e nossa maior alegria! Esperamos que façam bom proveito das informações aqui postadas!

PASQUALE CIPRO NETO


A informática e suas armadilhas


NA SEMANA passada, mencionei a falta que fazem as aulas de filosofia no ensino médio. Na verdade, não é só no ensino médio que elas fazem falta. A julgar pelo que se vê nas decisões tomadas por profissionais de nível superior de diversas áreas do saber, também na universidade a filosofia e a lógica parecem artigo raro.
Um bom exemplo se vê nos "corretores ortográficos" de certos programas instalados nos computadores. Escrevo este texto no Word e vejo que o tal corretor me "corrigiu" quando, no parágrafo anterior, escrevi "a falta que fazem as aulas...". O geniozinho quer que eu troque "a falta que fazem as aulas" por "as faltas que fazem..." Sem comentário.
Bem, pensando melhor, com comentário (com perdão pela cacofonia de "com comentário"). A coisa já começa mal no nome da tal ferramenta ("corretor ortográfico"). Como se sabe, a ortografia se ocupa da sistematização da grafia, que deve seguir as convenções adotadas. Se houvesse "erro" (não há) em "a falta que fazem as aulas de filosofia" e se o certo fosse "as faltas que fazem as aulas...", o problema seria de sintaxe, e não de ortografia.
Se o corretor ortográfico quiser ser de fato um corretor ortográfico, deve limitar-se a apontar erros de grafia, ou seja, deve grifar "excessão", "ascenção", "hortência" e casos afins. E é só o que o infeliz do programa consegue fazer direito, visto que, se alguém escrever "secretaria" em vez de "secretária", "esta" em vez de "está", "saia" em vez de "saía" ou "republica" em vez de "república", o "corretor" nada dirá, por uma razão bem simples: ele lê mal, ou melhor, não sabe ler mesmo.
Quem programa esses programas (com novo perdão, desta vez pela redundância) ainda não conseguiu fazer algo efetivamente bom no que diz respeito a apontar problemas de construção de texto (nexo, concordância, propriedade vocabular etc).

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Genial como sempre

  09 Junho 2011
Sempre excelente, segue a coluna do prof. Pasquale publicada na Folha de S. Paulo de hoje:

PASQUALE CIPRO NETO
"Se der um tapa na bola, Neymar ia..."

A linguagem se adapta ao veículo. Quando o locutor disse a primeira parte da frase, Neymar de fato...
O CARO LEITOR CERTAMENTE já ouviu falar de correlação verbal, não? Bem, os que leem habitualmente esta coluna, os que estão às voltas com vestibulares e concursos e os que estudam a língua, entre outros, decerto já ouviram falar disso.
Para quem não sabe ou esqueceu, lá vai: a correlação verbal se ocupa do casamento entre o tempo e o modo de duas formas verbais de um mesmo período. Vamos a alguns exemplos básicos: "Se ele/a for embora, o que você fará?"; "Se ele/a fosse embora, o que você faria?".
No primeiro exemplo, há correlação entre as formas verbais "for" (do futuro do subjuntivo) e "fará" (do futuro do presente do indicativo). No segundo, a correlação se dá entre "fosse" (do pretérito imperfeito do subjuntivo) e "faria" (do futuro do pretérito do indicativo).
Se o caro leitor tiver ficado enjoado com tantos nomes de tempos e modos verbais, tome um digestivo, digo, esqueça essa montoeira de nomes e guie-se pelo senso, pelo bom senso, pela intuição, que, quase sempre, resolvem o problema.
Por que "quase sempre"? Porque há alguns casos capciosos, que às vezes nos pregam surpresas. Um desses casos é o da forma "havia", do verbo "haver". No padrão formal da língua, é desejável que se prefira essa flexão à do presente do indicativo ("há") em construções como estas: "Havia seis anos que o importante projeto estava parado nas gavetas do Congresso"; "Quando eles se conheceram, havia dois anos que o ex-ministro ocupava a pasta".
Nos exemplos do parágrafo anterior, comprova-se a pertinência do emprego da forma "havia" com a simples substituição dessa flexão por "fazia": "Fazia seis anos que o importante projeto estava parado nas..."; "Quando eles se conheceram, fazia dois anos que o ex-ministro ocupava...". As formas "havia" e "fazia" são do mesmo tempo verbal (pretérito imperfeito do indicativo).
Na língua do dia a dia, a forma "havia" é substituída por "há", que, na prática, funciona como partícula intemporal. São comuns nessa variedade da língua (e mesmo em vários registros escritos) construções como estas: "Ele trabalhava lá há seis anos" ou "Eu não via seu primo há seis anos". Esse uso é tão disseminado que, em seu "ABC da Língua Culta", Celso Luft assim escreve na entrada "há": "Forma do verbo haver, significando: 1. Faz ou fazia: Há um ano que não o vejo. Há um ano que tinha desaparecido (melhor, coordenando os tempos: Havia um ano que tinha desaparecido)".
Como se vê, Luft dá "há" como equivalente a "faz" ou "fazia", mas logo faz a observação sobre o que é "melhor". E por que será "melhor"? Talvez porque em determinados registros podem caber as duas formas, com valores distintos. Vejam-se estes exemplos: "Ela estava no hospital há um ano"; "Ela estava no hospital havia um ano". Percebeu? No primeiro exemplo, informa-se que há um ano, ou seja, um ano atrás, ela estava no hospital (não se diz quanto tempo ela passou lá); no segundo, informa-se que fazia um ano que ela estava no hospital.
E onde entra Neymar na conversa? Vamos lá. Dia desses, um locutor disse isto: "Se der um tapa na bola, Neymar ia ficar sozinho". Terá ele errado a correlação entre "der" e "ia ficar" (= "ficaria")? Não e não, caro leitor. A linguagem se adapta ao veículo. Quando o locutor disse a primeira parte da frase ("Se der um tapa na bola" -o sujeito dessa oração não era "Neymar"; era o jogador que daria o tapa na bola), Neymar de fato ficaria sozinho se o outro jogador... Mas o passe não foi dado, e o raciocínio do locutor foi tão rápido quanto o desfecho do lance, por isso a troca de "vai ficar" (= "ficará"), por "ia ficar". É isso.
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